Pelo Trail Serra da Lousã

19 de Março de 2016 - Trail Serra da Lousã - 50 km


No dia 19 de Março de 2016 realizou-se o Trail da Serra da Lousã, prova com 51 kms e 5200 metros de desnível acumulado, qualificativa para o UTMB 2017. Com partida na Praça José Falcão em Miranda do Corvo passa por várias das mais belas aldeias do Xisto situadas na Serra da Lousã.
Da equipa de Triatlo da AASM, o Hugo Brito foi o representante, deixamos aqui o relato na primeira pessoa:
"Na partida chovia copiosamente pelo que enverguei desde logo o impermeável, nem cinco quilómetros depois haveria de o retirar porque aqueci demais. As primeiras sensações não foram boas, cansaço e uma percepção de um ritmo cardíaco elevado. Sendo o objectivo destas provas acumular tempo nas pernas e chegar ao final sem lesões não era um bom indicador, de qualquer forma abrandei o ritmo consideravelmente e decidi esperar que o corpo dissesse sim.



Na subida para o primeiro abastecimento, em Gondramaz, ao Km 10, as coisas não melhoravam pelo que decidi manter a minha passada modesta. Na subida para o primeiro cume começoua chover em força novamente, esperei que fosse de pouca dura e demorei a vestir o impermeável, nem passados 5 minutos de o vestir parou de chover e o sol abriu. Cheguei ao Hotel Palácio da Lousã cheio de calor após despir o impermeável e guardá-lo em corrida, já vou dominando melhor a técnica.




Aqui já haviam vários participantes com lesões, eu próprio havia caído no lamaçal que era a descida para a Lousã, mas nada demais, uns arranhões numa perna e na mão.
Custou sair da Lousã, as más sensações continuaram até ao Talasnal, liguei para casa, afinal de contas era dia do pai. No Talasnal, precedida da subida mais bonita do percurso, ao que se segue uma outra subida épica ( a melhor parte do percurso ) senti que estava sem energias, comi uma sopa e bebi uma coca cola, o estômago parecia pedra, Ao meu lado um corredor despira-se e aquecia-se numa salamandra com a manta térmica, trouxeram-lhe um garrafão de água quente ao qual ele se agarrou.
Após o que me pareceram 5 minutos  (sei que demorei muito, mas foi o necessário). Saí e comecei uma descida, as pernas respondiam pouco e já com dores no joelho direito, sem vontade, e o estômago pesava. Após a descida vem a tal subida maior do percurso, bonita, percorrendo várias aldeias abandonadas e outras aproveitadas, atinge-se o ponto mais alto, nas eólicas. Surge uma parte rolante em que apesar de não se terem manifestado cãibras só pude aproveitar timidamente. Começa nova descida que culmina na Senhora da Piedade de Tábuas, um dos pontos de passagem do trilho dos abutres. Aqui dizem-me aquilo que ninguém gosta de ouvir: o pior já passou!
Saio do abastecimento e deparo-me com uma parede que já havia descido nos Abutres, mas desta vez é para subir. Sobe-se e no topo penso, só faltam 7,5 Km, vou tentar apesar do corpo nunca ter chegado a dizer sim.
Comecei a acelerar o passo, o joelho direito pediu: pára! Quando se corre pesado e cansado...
Acelerei mais. Juntei-me a dois à minha frente, disseram força e colaram-se. Fomos andando, descida, lamaçal, descida, joelho, lamaçal, pequena subida, colou-se outro, descida, pequena subida, digo aos companheiros: vou sprintar até à meta, estou cheio de frio. Dei a patada e acelerei até à meta, ultrapassando vários corredores, 1, 2, 3, 4,5,6, sob forte chuvada, tendo terminado ligeiramente hipotérmico devido às preguiças com o impermeável.
Na meta fizeram controle de material, a primeira vez que vi tal. E eu cheio de frio.
Após isto vejo umas belas camisolas com capuz e penso: boa ideia, prémio de finisher!
- Não, para si é uma medalha, isto é para os do UTAX.
- Está bem, se eu passei frio eles passaram mais.
No abastecimento final um cão, tipo retriever, abanava a cauda encharcado, apanhando tudo o que as mão trémulas dos corredores deixavam cair no chão"

Classificação: 
59º (21º Vet 1) - Hugo Brito - 7:43:59

Parabéns pela conquista.

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