Os 100km do Ultra Trail São Mamede

14 de Maio de 2016 - Ultra Trail São Mamede - 100km


Realizou-se no passado dia 14 de maio o Ultra Trail de São Mamede (102Km), que percorreu as serras do Alto Alentejo entre Portalegre, Marvão e Castelo de Vide. Não se tratando de uma prova com um elevado grau de dificuldade técnica (a progressão era quase sempre por estradão ou calçada romana) e em que as condições climatéricas foram muito favoráveis (clima soalheiro mas fresco), salienta-se o feito, sempre digno de registo, de se tratar de uma prova com mais de 100Km. Duas notas de assinalar: (1) a dureza, para as articulações, que representaram os largos quilómetros realizados em calçada romana (na região do Marvão e entre Castelo de Vide e Portalegre); e (2) o extraordinária organização, incluindo-se aqui o apoio do público, os abastecimentos, o apoio dos voluntários nos abastecimentos, a simpatia de toda a gente da região e as marcações, tão frequentes que não permitiam que os atletas se enganassem 1 metro que fosse. 

Os representantes da AASM foram o Rui Pena e o Hugo Brito, sendo que os seus feitos saem valorizados por tão-somente 1 semana antes terem participado e concluído o Triatlo Longo de Lisboa, na distância Half Ironman. Os atletas têm percursos diferentes em provas de 100Km, sendo que para o Hugo era a sua estreia nos três dígitos e para o Rui, o retomar de um projeto em que pretendia fazer 5 provas de > 100Km em apenas 4 meses… O Hugo acabou por não conseguir o seu principal objetivo de concluir a prova, porque teve de desistir já no Km 95, em plena cidade de Portalegre, onde a prova se concluiria, depois de aconselhado a não continuar por causa de uma lesão na perna esquerda. No entanto, ficou com a experiência toda do que é uma prova tão longa como este UTSM. O Rui, concluiu a prova com 15:56h, tendo sido o 65º geral e 20º V1, o que representa a sua prova mais rápida numa distância desta dimensão... 

No dia 4 de junho, estes dois atletas da AASM estarão novamente pelas serras, desta feita na da Estrela, na prova “Oh Meu Deus!”. Nesse caso, o Brito estará novamente nos 100km e o Pena nas 100M.

Reultados dos atletas:
65º (20º V1) - Rui Pena - 15:56:00
Desistiu aos 95km - Hugo Brito

Parabéns aos dois! 

Deixamos também o relato do Hugo Brito ma primeira pessoa:

"A prova correu bem, na medida do possível, do PAC 3 em diante tive um problema recorrente de queimaduras por fricção nas pernas, no posto médico do PAC3 coloquei vaselina mas não melhorou muito. 

Dali até ao Marvão foi sempre a tentar que as queimaduras não piorassem, o tempo de prova apontava para terminar às 16:00 / 16:30. 

A nível muscular pensei que estava bem ao chegar ao Marvão, sem cãibras, boa cor na cara. Uns espanhóis arranjaram mais um pouco de vaselina, os pés estavam bem, troquei de calçado. Mal começo a descer o Marvão, senti um choque eléctrico, tal e qual, pela perna esquerda, onde tenho andado de volta com uma dor já há umas semanas. 

Continuei sempre num trote e com muito cuidado nas descidas mas notei que a perna esquerda começou a piorar. Daí em diante foi sempre a gerir a dor de forma muito intensa, ao chegar ao PAC 9 os médicos viram que algo não estava bem pois já apresentava inchaço proeminente em duas articulações, a Dora estava novamente lá à minha espera e entregou-me uns bastões. Mal saio do PAC 9 senti mil agulhas na junção anterior do joelho com o gémeo. Puxei e dobrei a meia de compressão à volta do joelho para tentar estabilizá-lo e continuei até ao PAC 10, o dos 95 que afinal eram 97 ou 98, já não tinha relógio e ia quase com 17 horas de prova, decidi contar os metros usando os bastões como métrica e fui-me apercebendo de quanto andava devagar. Ao chegar ao PAC 10 fui examinado por Bombeiros que aconselharam a abandonar mas percebiam se eu quisesse continuar, foram comigo até à descida seguinte, não conseguia já andar a direito com passos maiores que 20 cm, portanto piorava exponencialmente a cada km. 

Abandonei no PAC 10 ao km 98, a 5 km da meta. Teria sido possível terminar a prova mas poderia ter comprometido toda a época. 

Após consulta com fisioterapeuta chegámos à conclusão que tinha as costas desalinhadas o que me provocou um desequilibro mecânico e ajudou a encurtar o gémeo interno da perna esquerda com o decorrer da prova. Poderia ter levado a uma ruptura, mas não foi, felizmente, o caso. Esse desalinhar também fez com que um nervo ficasse pressionado, dai o choque eléctrico. De resto ela acha que está tudo bem e que posso voltar aos treinos numa questão de dias!"

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